Eu sou ridícula. Passo a metade do dia querendo
provar para o mundo e para todas as minhas redes sociais que estou bem, e passo a outra metade querendo provar para mim mesma o quanto sou ridícula, sozinha e solitária.
Usei diversas máscaras que perdi já qual é a minha preferida.
Passo os dias me adequando conforme as situações. Na hora do perigo, eu
viro outra. E na hora de ser feliz e louca, viro a que todos já estão
cansados de ver. Na academia eu sou uma. Não olho para os lados, sou
centrada e seca. Não quero que ninguém gostosão ache que estou dando em
cima. Na escola, eu tento ser a descolada mas ainda assim chata,
insuportável. E aqui, eu posso ser do jeito que quero. E me sinto
incrivelmente ridícula. Passo a metade do meu mês criando planos, e a
outra metade faço questão de destruir tudo.
Falo em voz alta: Esse não vai dar certo, não sei porque fiz esse, não quero mais aquele, esse é ridículo. E
quando dou por mim, estou zerada. Talvez zerada não fosse tão a palavra
correta. Mas ainda assim, me sinto ridícula. Vejo as minhas antigas
amigas e todas elas estão lindas, mal me olham, mal conversam comigo.
Por escolha ou destino, nós não somos mais amigas. E eu sinto falta
delas, juro que sinto. Sinto falta dos meus amigos de infância,
e daquele meu amigo que era meu vizinho.
Talvez seria com ele que eu fosse me casar, ou dar uns amassos ‘risos’.
Mas não, o destino me boicotou e levou tudo. Não tenho mais amigas de
infância e nem o meu amigo que poderia ser o cara que iria me conquistar
ou me odiar inteiramente. E eu me sinto mais ridícula porque não tenho
plano algum. Vou para academia, faço meus exercícios e a mesma cara de
sempre. Quando me falam um oi em sussurros, respondo em sussurros. Não
me importo. Só sinto dó de meninas que conseguem se tornar mais
ridículas do que eu. Meus ex namorados me odeiam. Ou então, perdem os
precisos tempos que os restam com as novas namoradas lendo os meus
textos. E inúmeras vezes, deparei com os comentários deles perdidos por
aqui. Alguns falavam que me amavam, outros me zoavam eternamente com a
escolha que eu fiz.
Precisava desabafar e esquecer um amor que chega até ser deprimente.
E eu me sinto tão burra, tão passageira, tão estranha por ser dona de
todos e mesmo assim, todos não me pertencem realmente. Me sinto muito
ridícula. Eu sou tão ridícula que tento chorar mas ao mesmo tempo tenho
essa necessidade de sair por aí provando que estou bem.
Mas eu não quero mais provar que estou bem para que os outros vejam. Quero chorar muito quando o fim chegar. Quero sentir que não tenho mais forças para chorar.
Mas na verdade, perdi toda a vontade de sofrer.
E eu fujo do amor. De verdade. Corro como se fosse uma gazela
saltitante para longe de tudo que possa me deixar suspirando. Então,
sempre estou pronta para ir e nunca para ficar. E eu me sinto muito mais
ridícula quando vejo que estou fazendo planos em cima de uma noite
qualquer ou de uma conversa fofa que me deixou balançada e suspirando
durante dias. Continuo nessa de dramatizar já que minha vida é
incrivelmente chata. E ele, o que me deixou, deve gargalhar por conta
disso. E eu só queria que ele soubesse que nunca mais vou querer que ele
apareça. Necessito que ele suma para que nunca mais volte. Nunca mais.
Não quero a notificação dele em alguma rede social e nem me deparar com
as meninas bregas dele. Elas são bregas demais, e eu precisava dizer
isso.
Precisava porque tenho o orgulho ferido realmente. E eu não estou nem aí mais para nada.
Nem para o sofrimento, nem para mim.
Por mais que eu tenha escrito milhares de vezes que não tenho medo da
solidão, chegou a hora de falar a verdade. Eu morro de medo de ser
sozinha.
Morro de medo de perder os poucos amigos que me restam
e ser sozinha para sempre. Eu morro de medo de enfrentar o mundo,
sozinha. E eu sou tão sozinha. E eu não gosto. Eu morro de medo de
espantar a minha felicidade, mesmo sabendo que isso já acontece. Porque
faço questão de ser cruel só para aqueles que se apaixonam
milagrosamente por mim, desapaixonarem. Não quero que me amem. Não é por
mal, só não quero que as coisas ficam mais complexas do que já são. O
drama é meu. Mas sou tão chata, tão menina, tão ingênua que chego a me
surpreender. Não era para continuar assim.
Esses amores só ficam para que eu possa escrever. E eu sinto tão bem às vezes. Sinto tão indiferente com o mundo, e eu não quero assim, de vez em quando.
Queria que alguém perdido por aí, finalmente aparecesse. Alguém como eu sempre escolhi e planejei.
E não os outros. Eu não gosto dos outros. Eles são chatos e querem
abusar da minha boa vontade quando bebo demais. Só queria que algo na
minha vida desse certo e que ninguém mais fosse embora. Porque me cansa
tanto. Me sinto tão ridícula por ter que acordar sem saber o que vai
fazer, sem planos ou sem alguém para dizer que tudo vai passar -
mesmo sabendo que não existe mais nada para passar.
Eu só queria acordar e perceber que continuo sendo ridícula mas que
tudo não passou de um pesadelo horrível. Eu choro assistindo o filme “A
Noiva Cadáver”,
e eu não queria que ela se transformasse em borboleta no final.
Sou tão ridícula ao ponto de escrever e pensar em tudo que passou. Sou
ridícula ao ponto de conversar sozinha no escuro. Sou tão ridícula que
acabo dando gargalhada disso, porque não me resta outra coisa a fazer.
Sou tão ridícula que a única coisa realmente necessito e planejo é
dormir. Dormir para que nada mais possa fazer com que me sinta mais
ridícula do que já estou sentindo.
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